quarta-feira, 24 de maio de 2017

IntercâmBIOs #1 - Ed especial EREB-SeRio

Você ainda não sabe o que é o EREB? Bom, é o Encontro Regional dos Estudantes de Biologia. Nós, da Unicamp, participamos do Encontro Regional do Sudeste, por isso EREB-Se. Esse encontro, que é uma ferra- menta da Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia, o ENEBio, acontece todo ano e busca atuar como um agente transformador, trazendo reflexões de questões ambientais, políticas e sociais.

O EREB de 2017 aconteceu no Rio de Janeiro, organizado pela UXRJ, ou seja, a união entre as escolas de Biologia da UFRJ e da UERJ, respectivamente, a universidade federal e a estadual do Rio de Janeiro. O tema central do Encontro deste ano foi Educação. Mas talvez, mesmo explicando tudo isso, a ideia de como é o encontro, ainda fica meio abstrata. Então, vamos dar um pequeno relato do encontro, bastante resumido mesmo, para dar uma ideia do que aconteceu por lá.

O espaço, que é auto-organizado, conta com a colaboração de todos. Então logo depois da inscrição, você já é designado para um grupo que vai ajudar na organização do evento, garantindo que tudo funcione como deveria. Em seguida, a mesa de abertura que nessa edição foi bastante comovente. Contou com o depoimento de uma estudante da UERJ, que pode explicar a situação da precarização e sucateamento da Universidade por negli- gência do Governo do Estado do Rio. A si- tuação, que se arrasta desde 2014, conta com o não pagamento de professores, bolsas e recursos, necessários para o funcionamento da Universidade.

No segundo dia, aconteceu os espaços de Grupos de Discussão (GDs) e Grupos de Trabalho (GTs). Os GTs tinham temas maiores, como Escola, Universidade, Gênero e Sexualidade, Negritude, Mulheres etc. Dentro desses temas, assuntos mais específicos eram abordados por grupos menores, os GDs. As discussões realizadas pelos GDs acabavam com algumas conclusões e propostas, que seriam discutidas por todos os encontristas dos GDs inseridos no seu Grupo de Trabalho. Do mesmo modo, as decisões e propostas que surgiram nos GTs, seriam discutidas e deliberadas na Assembléia do último dia do EREB, assim como acontece no ENEB. Nessa edição, por exemplo, a Biologia da Unicamp decidiu dar indicativo para Articulação Nacional, o que vai ser decidido no Encontro Nacional. O novo coletivo de gênero e sexualidade do IB tem suas raízes no ENEBio, por exemplo.

O terceiro dia tinha os espaços de Vivência, que são momentos de experiência com uma realidade que, normalmente, o encontrista não está acostumado. Isso leva a diversas reflexões sobre as nossas realidades e as nossas experiências. Tivemos a opção de conhecer Projetos de extensão das universidades do Rio, como o Muda Maré, um projeto de educação ambiental no Complexo do Maré, comunidade no entorno do Campus da UFRJ; O Projeto Capim Limão, que promove discussões sobre a agroecologia, incluindo um espaço que os alunos da UFRJ tem para desenvolver um experimentação agroecológica e de permacultura na Universidade (ficamos com inveja, porque é uma iniciativa maravilhosa).

Conheça mais sobre o projeto na página do facebook:
https://www.facebook.com/projetocapimlimao

Outros projetos foram abordados nas vivências, como o Reflorestamento do Pão de açúcar que é realizado por voluntários; a preservação e manejo na Floresta da Tijuca, que é feita por trabalhadores terceirizados, recuperando uma área que era uma grande plantação de café. Os trabalhadores se preocupam bastante com a manutenção das trilhas, pois sabem a importância da visitação e a aproximação das pessoas com a natureza, possibilitando uma maior preservação do local. Também projetos de educação, como o pré-vestibular social no Morro do São Carlos e o PreparaNem, que visa preparar travestis, transsexuais e trangêneros para o Exame, para o ingresso dessa população trans na universidade. Sobre as vivências, e como elas podem inspirar novos projetos aqui no IB - Unicamp, vale lembrar que o Chá das Minas daqui vem de uma Vivência do ENEB de Viçosa, em 2015.

Depoimento

O simBIOse traz o depoimento do João, Cinzeiro (015D), que foi para o EREB-SeRio

Certas coisas nos prendem como raízes bem firmes de uma enorme sequoia. A ENEBio não é diferente.

Lembro-me do meu primeiro Encontro. Estava tão feliz por apenas viajar a outro estado que tudo o que viesse a mais seria a superação da minha própria expectativa (mesmo que alta logo de início). E sobre tudo o que veio “a mais” até hoje reflito sobre aqueles ensinamentos. Cada palavra, cada olhar, cada energia, cada conselho, cada companheiro, cada descoberta de si... do ser. Para controlar essa magia, precisava mergulhar em seu interior e desbravar cada canto que permitiu a (re)viravolta do meu eu naquela semana (embora ainda me recuse a dizer que aquele recorte temporal durou somente sete dias perto da dimensão de aprendizados que jamais caberiam em cinco anos).

E a felicidade jamais encontra um ponto final.

Todo dia me vejo como pertencente à árvore, sucessor ecológico, ecossistema, mãe terra, Enebio, como queira chamar. Todo ano essa chama é estimulada. Nesse ano não foi diferente.

O EREB – SeRio teve sorrisos até demais (como se existisse um limite para o sorrir). A reflexão que este tempo me proporcionou talvez seja a maior riqueza que conquistei. Saio de lá convicto que eu mesmo posso me aceitar como sou. Me (re)conheço a ponto de saber quantos sou e quais sou, respeitando os limites que cada João necessita. Aprendi que o de hoje quer paz. Não inércia. Paz. Quero estar em constante movimento pela busca – sempre interminável – dos valores que me constroem. Essa movimento tem nome e chama educação. A Biologia me deu de presente o privilégio de me mostrar o portal dos portais. Saio do encontro na ânsia de me tornar um biólogo e, posteriormente, um pedagogo. Mas sempre na paz. Em um lugar tranquilo.

“Luta. O Velho Antônio dizia que a luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina.”

João Victor (Cinzeiro), Maio de 2017

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