A
greve do ano passado (1º Semestre de 2016) teve frutos que ainda estamos
colhendo. Aqui nessa edição vamos abordar um que está mais fresco do que nunca,
que é a implementação do Sistema de Cotas étnico-raciais na Unicamp.
O
Grupo de Trabalho (GT) criado para a organização de debates e propostas para a
política de acesso que seria criada foi responsável por trazer o assunto para
debate já no ano passado em 3 audiências públicas. Além disso, o debate deveria
ser levado para os institutos da Unicamp, e cada um deveria apresentar um
posicionamento para o Consu, órgão máximo de deliberação da Unicamp. Aqui no
IB, esse debate foi feito recentemente, no dia 10 de Maio.
A
mesa convidada era composta por um professor representante da Comvest, um
professor representante do GT de Cotas e um discente representando o Núcleo de
Consciência Negra da Unicamp. As três apresentações se mostraram, de certa
forma, favoráveis à proposta de aplicação de Cotas idealizada pelo GT.
A
proposta do GT reserva duas vagas para um vestibular indígena, além do
vestibular convencional, que agora passaria a reservar 50% de vagas para alunos
de baixa renda de escolas públicas, destes, 18,6% para autodeclarados pretos e
pardos. A mesma porcentagem seria reservada para a outra metade de vagas, que
não apresenta critérios. Isso somaria um total de 37,2% de vagas reservadas
para autodeclarados pretos e pardos, se aproximando da porcentagem do estado de
São Paulo, segundo o Censo 2014.
A
primeira apresentação foi a de um representante da Comvest, o Profº José Alves
de Freitas Neto, trazendo pesquisas e dados da Comissão Permanente para os
Vestibulares. O Profº Júlio César Hadler Neto, trouxe dados discutidos nas
Audiências Públicas e no GT, que demonstram a grande herança de injustiças
históricas contra a população negra que temos. Também trouxe o fato de que não
era atribuída a Comvest o acompanhamento do programa de inclusão implementado,
atualmente o PAAIS, e, por isso, lembrou a importância de institucionalizar
esse acompanhamento. Por fim, Teófilo Reis, do Núcleo de Consciência Negra,
trouxe alguns pontos para a reflexão, incluíndo sobre como a implementação de
Cotas vai também mudar a demanda no vestibular e, depois disso, uma demanda
maior por políticas de permanência.
Retirado do Relatório do GT, Fevereiro de
2017
Na
última sexta-feira (19/05/2017), a Congregação do IB, tinha como uma das suas
30 pautas, discutir e decidir qual seria o seu posicionamento perante a adoção
do sistema de cotas proposto pelo GT. A discussão feita pelos docentes,
funcionários e discentes presentes trouxeram pontos como mérito e excelência,
racismo, oportunidades e privilégios etc. Por mais que fossem trazidos
argumentos de pontos de vista diferentes, uma decisão deveria ser tomada, e
então, uma minuta foi escrita e discutida. Depois que os representantes das
três categorias fizeram seus comentários e
pedidos de alteração, a minuta a ser votada era a seguinte:
“A
congregação do Instituto de Biologia apoia fortemente a pluralidade de
pensamentos e presença representativa das mais variadas etnias no ambiente
Universitário, sempre vinculadas à excelência e mérito acadêmico. Neste
sentido, acolhe e compartilha da visão inclusiva apresentada pelo relatório do
GT de cotas étnico-raciais. Esta Congregação tem a convicção de que a adoção de
variados mecanismos inclusivos e de permanência é o mais adequado a se fazer,
pois amplia o leque de opções de entrada na Universidade, reforçando os
princípios democráticos da nossa sociedade. Neste sentido, sustenta que ações
afirmativas como o PAAIS e o ProFIS devam ser mantidas e aprimoradas,
agregando-se, ainda, a reserva de uma parcela das vagas do Vestibular Unicamp
para cotas étnico-raciais. Outras formas de ingresso na Unicamp também poderão
ser propostas, estando a Congregação do IB aberta para avaliar e participar da
lapidação de tais iniciativas.”
E
com unanimidade de votos dos representantes presentes, esse será o
posicionamento do instituto perante a reunião do Consu, no dia 30 de Maio.
Outras
informações da congregação
Ainda
nessa congregação, foram levantadas duas informações importantes. Uma delas foi
um agradecimento ao reconhecimento da categoria de funcionários que, com os
novos regimentos dos departamentos de biologia animal, de biologia estrutural e
funcional e de genética, evolução e bioagentes, tiveram um acréscimo na
representatividade.
A
outra é que as premiações feitas pela unicamp, a “Zeferino Vaz” de
reconhecimento acadêmico (pesquisa) e a de dedicação à docência (ensino), não
terão mais a bonificação em dinheiro associada ao diploma, devido a crise
financeira. A quantia, que correspondia a 3 salários mínimos da categoria MS-6
RDIDP (atualmente correspondente a R$47586,99), somava mais de 2 milhões em
prêmios.
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